Arqueólogos narram ritual macabro por trás da “Torre de Crânios” asteca
Arqueólogos narram ritual macabro por trás da “Torre de Crânios” asteca
Com seus imponentes 5 metros de altura, o sombrio monumento era uma homenagem ao deus da guerra Huitzilopochtli
Postado em 30/06/2018
(Crédito: Daniel Cardenas/Anadolu Agency)

Descoberta em 2015, por arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, a chamada “torre de crânios” despertou a curiosidade dos pesquisadores tanto por seu tamanho quanto por seu aspecto macabro. O monumento, situado na antiga cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), tinha cinco metros de altura e contava com quase 700 crânios em sua estrutura. Imponente e sombria, a obra foi construída em homenagem a Huitzilopochtli, deus asteca da guerra e do Sol, e causava verdadeiro pavor aos inimigos desse povo.


(Crédito: Science)


Não é por menos. Além da aparência assustadora da construção, a história por trás dela é também de causar arrepios. Segundo artigo da revista Science, os crânios da “torre” eram obtidos em rituais de sacrifício, nos quais as vítimas eram decapitadas logo após terem, ainda em vida, seus corações arrancados do peito. As cabeças, uma vez removidas, eram limpas pelos sacerdotes, que retirava delas a pele e os músculos com o auxílio de uma navalha. Ao final, os crânios eram perfurados nas laterais para poderem ser fixados num poste de madeira e exibidos numa enorme prateleira, chamada tzompantli, em frente ao templo.


(Guerreiro servindo de sacrifício. Ele terá sua cabeça arrancada a seguir para figurar na prateleira de crânios. Fonte: Ignota, codex do século 16) 

De acordo com a análise feita pelo arqueólogo Jorge Gomez Valdes, cerca de 75% dos crânios encontrados pertenciam a homens de idades entre 20 e 35 anos - que era a faixa etária considerada como a de “primor” dos guerreiros. Do restante, 20% das vítimas eram mulheres e 5%, crianças. Todos estavam, segundo Gomez Valdes, em boa condição de saúde na época de suas mortes. “Se eles eram cativos de guerra, certamente não eram daqueles que ficaram para trás por não terem forças para seguir”, afirmou.


 (Vista do Templo onde jazia a “torre de crânios” e arredores em 2013. Foto: Diego Delso)


Dotados de várias práticas macabras como essa, os Astecas foram um dos povos mais bem estruturados da América pré-colombiana. Seu vasto império dominou os territórios do centro-norte do continente (onde hoje em grande parte se encontra o México) até 1521, quando a capital Tenochtitlán foi tomada pelos espanhóis. Massacrada pelas tropas do país ibérico, assim como por doenças trazidas da Europa, a população asteca sucumbiu rapidamente. Em cerca de cinco anos, foi reduzida a aproximadamente 20% do número original, com a morte de mais de 15 milhões de pessoas.     


E você, o que achou do ritual de sacrifício asteca? Medonho, não é mesmo?