“Bichano Acústico”: conheça o projeto da CIA com gatinhos espiões
“Bichano Acústico”: conheça o projeto da CIA com gatinhos espiões
O gatos eram equipados com dispositivos de escuta e enviados para espiar os soviéticos
Postado em 9/07/2018

Poucas décadas foram tão ‘peculiares’ quanto a de 1960. Em meio a Guerra Fria, as disputas tecnológicas estreladas pela então União Soviética e pelos Estados Unidos foram motivo de diversos experimentos bizarros. Dentre eles, um caso curioso, e pouco divulgado, foi o projeto conhecido como “Bichano acústico”. Mas não se engane, apesar do nome sugerir, não se trata de nada envolvendo um gatinho cantando com acompanhamento de violão.


O projeto, originário da divisão de Ciência e Tecnologia da C.I.A, baseava-se numa tática de espionagem utilizando-se de gatos. Os bichanos seriam preparados com os devidos aparatos de escuta e gravação para, então, serem colocados em locais específicos, como peitoris de janelas, lixeiras e bancos de parque nas redondezas das embaixadas soviéticas.



Os agentes da C.I.A. tiveram a brilhante ideia depois de perceber como os gatos passavam despercebidos em diversos ambientes, além de serem naturalmente curiosos e seguirem sempre em direção a sons distintos. Assim, partindo da premissa de que os gatos achariam as conversas do pessoal soviético interessantes, o projeto ultrassecreto nasceu.


O primeiro teste num bichano se deu pelas mãos de um veterinário, que fora recrutado para implantar dispositivos especiais no animal. Dentre os equipamentos, foram instalados um transmissor de rádio da parte de trás do pescoço, um microfone no canal auditivo e um fio finíssimo ligando os dois aparelhos no corpo do gato a uma bateria.



Nas primeiras experiências com o animal, contudo, logo foram percebidos alguns problemas. Em primeiro lugar, como o bichano tinha pequeno porte, a bateria que se usou para manter os dispositivos ligados era também muito pequena - e assim, durava pouco tempo. Em segundo momento, percebeu-se que, vez ou outra, o gatinho (como era de se esperar) sentia fome e mudava sua rota para procurar comida - tornando a operação um verdadeiro desastre.


Não bastasse todos esses obstáculos, quando finalmente os agentes da C.I.A. puseram o plano em ação, o dito popular “a curiosidade matou o gato” se concretizou diante de seus olhos. O animal, que havia acabado de ser solto para espionar a conversa de dois homens soviéticos sentados num parque perto de Washington, foi… atropelado por um táxi, ao atravessar a rua, e morreu.

 

O projeto foi descontinuado, sem dar frutos, em 1967, deixando um saldo negativo de 20 milhões de dólares para a organização americana. Quando veio a público, em 2001, depois de o Arquivo Nacional de Segurança dos Estados Unidos divulgar os documentos, o projeto foi tachado ridículo. O mundo, por motivos óbvios, olhou para todo aquele esquema e não pode evitar de rir sarcasticamente.

E quem conseguiria não rir, não é mesmo?