Casal religioso preso por morte de bebê recém-nascido sem atendimento médico
Casal religioso preso por morte de bebê recém-nascido sem atendimento médico
Membros da Igreja Seguidores de Cristo, Sarah e Travis Mitchell disseram não acreditar na medicina moderna
Postado em 16/07/2018
(Beth Nakamura/Oregonian/AP)

Um casal norte-americano foi condenado, na segunda-feira (9), a seis anos de prisão após ter se recusado a procurar atendimento médico para a filha recém-nascida, que logo veio a óbito. Segundo relatório da polícia local, Sarah e Travis Mitchell eram membros da Igreja Seguidores de Cristo, a qual diz não acreditar na medicina moderna. Em julgamento ocorrido no condado de Clackamas, em Oregon, nos EUA, os dois foram acusados de homicídio por negligência e maus tratos.


Foto: Polícia do condado de Clackamas

Em relato, o legista do caso, Eric Tonsfeldt, afirmou que, quando as autoridades chegaram ao local, a bebê Ginnifer já estava morta nos braços de Sarah. A criança, que havia nascido na tarde de 5 de março, com apenas 32 semanas, pesava somente 1,6 kg. 


De acordo com o laudo médico, a morte de Ginnifer foi consequência de complicações respiratórias severas após o nascimento prematuro, as quais não receberam nenhum tipo de atendimento médico. Os pais, e pelo menos 60 membros da igreja que acompanhavam o parto, ao invés de chamarem a emergência, resolveram se revezar e orar em voz alta na expectativa de ‘curar’ a pequena. Para eles, a fé era o único meio de salvá-la.


Ao chegar ao local, Tonsfeldt descobriu também que Ginnifer tinha uma irmã gêmea, Evelyn, quem ainda estava em risco de morte. Preocupado com ela, o médico alertou a família sobre a necessidade de se levar a bebê ao hospital o quanto antes. Os familiares, no entanto, decidiram por ignorá-lo. “Obrigado por sua opinião”, teria dito Walter Whites, pai de Sarah.


Sem outra opção, o legista teve, então, de pedir ajuda aos policiais para intervir e levar Evelyn até a instituição de saúde. Por sorte, o atendimento foi bem sucedido e, atualmente, a pequena espera que uma nova família a adote.


Os pais de Ginnifer, que estavam detidos desde o incidente, demonstraram profundo arrependimento durante o julgamento e se declararam culpados pela morte da filha.