China oferece recompensa de mais de R$ 330 mil por denúncias contra pornografia
China oferece recompensa de mais de R$ 330 mil por denúncias contra pornografia
Medida é parte dos grandes esforços do governo em ‘limpar’ a internet do país
Postado em 24/11/2018
Foto: India Today/Reprodução

Algumas pessoas têm opiniões bem fortes contra a indústria pornográfica. Mas poucas vão conseguir bater a China nesse quesito. O país asiático, que já oferecia uma recompensa graúda para quem denunciasse publicações eróticas em seu território, resolveu, na semana passada, dobrar o valor do prêmio, atingindo a cifra de 600 mil yuans (algo como R$ 330 mil).


A medida é parte da política chinesa de “limpeza” da internet no país e deverá entrar em vigor a partir de 1º de dezembro. Além da pornografia, outros temas considerados “perigosos” à segurança ideológica e cultural da nação também estão sob o alvo de Pequim. Contra esses, o governo fez questão de aumentar, no mesmo dia, as multas devidas, elevando os números a até 50 mil yuans (cerca de R$ 27 mil). 


(Recompensa por denúncia de materiais pornográficos gerou reações curiosas na população. Foto: Abacus/Reprodução)Como esperado, o anúncio provocou reações, no mínimo, curiosas. Alguns usuários da internet ironizaram o projeto afirmando que irão abandonar seus empregos para viver de denúncias. “Vou procurar materiais que eu ache desagradáveis em todo lugar para poder denunciar. Se há dinheiro a ser ganho com essas denúncias, então por que eu vou trabalhar até a morte?”, escreveu um chinês na rede social Weibo.


Já outros internautas se mostraram menos bem-humorados com a medida, criticando a postura do governo de fiscalizar com mais afinco a vida privada dos seus cidadãos que, de fato, punindo os criminosos. “Na era da denúncia, ninguém sai ileso. Todo mundo vai acabar sendo engolido por isso”, declarou um usuário do Weibo. 


(Protestos contra a prisão do escritor homoerótico Tianyi, condenado a mais de 10 anos por publicar materiais considerados 'ofensivos'. Foto: The Independent/Reprodução)Aos artistas criadores de materiais eróticos, tanto online quanto offline, o perigo é ainda maior. Exemplo claro disso foi o ocorrido, semana passada, com o escritor Tianyi, que foi condenado a mais de 10 anos de prisão por ter descrito cenas de sexo gay em seu romance. E, embora o episódio tenha provocado enorme indignação dentro e fora da China, ele não é, nem de longe, uma exceção. 


Em agosto, o fundador da Hot TV, uma plataforma online de compartilhamento de vídeos, foi sentenciado a 7 anos por hospedar filmagens consideradas ‘indecentes’. No mês seguinte, um responsável pelo WeChat (equivalente chinês do WhatsApp), enfrentou 6 meses de prisão por ter permitido divulgação de imagens pornográficas no aplicativo.


Ao que tudo indica, contudo, grande parte da população aderiu à política do país, chegando a mesmo montar grupos de vigia e denúncia em cada vizinhança. 


Alguém aí quer se mudar para a China?