Escola fecha por 2 dias após aluna transgênero ser ameaçada por pais
Escola fecha por 2 dias após aluna transgênero ser ameaçada por pais
Feitas pelo Facebook, as ameaças chegavam a estimular que as pessoas esfaqueassem a menina de 12 anos
Postado em 16/08/2018
(Foto: AP)

No começo da semana, uma escola na zona rural do Estado norte-americano do Oklahoma foi fechada por dois dias após uma aluna transgênero, de 12 anos, ser ameaçada no Facebook por pais de seus colegas de classe. O problema teve início quando a aluna, que mesmo tendo sexo masculino se identifica como uma menina, fez uso de um banheiro feminino na escola.


Segundo Rick Beene, superintendente das Escolas Públicas de Achille, cidade onde se deu o incidente, a estudante tinha o costume de usar o banheiro dos funcionários da escola quando estava no ensino infantil. Agora, como está no ensino fundamental, isso teve que mudar.


No começo, apenas dois pais reclamaram sobre a presença dela no banheiro feminino. Mas logo o quadro se agravou quando a situação veio a público, e as ameaças começaram a surgir em peso no Facebook. Além de ofensas direcionadas à criança, que foi chamada de “coisa”, houve também sugestões violentas sobre uma possível “caça aos transexuais”, com pessoas que defendiam, inclusive, que a menina fosse espancada e esfaqueada.  


A mãe da aluna, Brandy Rose, se disse horrorizada. “São adultos fazendo ameaças a uma criança. Eu não entendo isso". 


(Brandy Rose, mãe da estudante transgênero, ficou aterrorizada com as ameaças à sua filha. Foto: CNN/Reprodução)


Diante do cenário preocupante, a diretoria da escola, junto com as autoridades policiais do condado, decidiu, no domingo (12), fechar a escola por dois dias. "[A aluna usar o banheiro feminino] nunca foi um problema para nossos filhos ou para os funcionários da escola, é apenas esse grupo de adultos", disse Beene. "Alguns dos quais nem mesmo vivem neste distrito escolar ou nesta cidade."


Na quarta-feira (15), as autoridades tiveram um encontro com a estudante e sua mãe, e as aulas foram retomadas normalmente pela manhã. 


Em carta aberta, o Conselho de Administração da PFLAG Oklahoma City, grupo formado por famílias e partidários da causa LGBTQ, disse estar "de coração partido, enfurecido e consternado" pelas postagens feitas no Facebook e exigiu da escola que fossem denunciadas publicamente as ameaças violentas feitas na rede social.


"A comunidade Achille ISD deve mostrar que de fato segue os valores [de solidariedade e igualdade] que diz seguir e apoiar e proteger ativa e publicamente esta família", disse a carta. "Isso deve incluir não apenas a criança, mas também seus pais, que imaginamos que também estão tristes, irritados e aterrorizados pela segurança de sua filha”.


"Isso não é um caso isolado. Essa é a realidade que muitas famílias da comunidade LGBT enfrentam diariamente", concluiu.