Gangster francês usa helicóptero em fuga dramática de prisão
Gangster francês usa helicóptero em fuga dramática de prisão
Plano de fuga digno de cinema pegou as autoridades desprevenidas
Postado em 1/07/2018
Helicóptero utilizado na fuga. Foto: Getty/AFP

Neste domingo (1), as autoridades policiais francesas foram pegas de surpresa com uma fuga digna de cinema numa prisão situada nas proximidades da capital, Paris.


O prisioneiro Redoine Faïd, de 46 anos, estava recebendo uma visita do seu irmão na prisão de Sud-Francilien, na cidade de Réau, a 50km de Paris, quando dois homens encapuzados, fortemente armados e usando braçadeiras da polícia francesa, invadiram a sala de visitas e o levaram a um helicóptero pousado no pátio externo do presídio.





Os invasores haviam rendido um instrutor de voo em um aeródromo local e o forçado a pilotar e pousar um helicóptero do tipo Alouette na única parte do complexo penitenciário que não contava com redes anti-aéreas, onde ele seria mantido refém por um terceiro cúmplice.


Logo após a fuga, os quatro fugitivos e o refém pousaram na cidade de Gonesse, a 60km da prisão e às proximidades do aeroporto internacional Charles de Gaulle, ao norte de Paris. Após abandonar o piloto e tentar incendiar o helicóptero, os fugitivos utilizaram um carro Renault Mégane de cor preta para fugir do local.


Mais tarde, a polícia encontraria o carro abandonado em um estacionamento nas redondezas do aeroporto, de onde os fugitivos teriam partido, usando um outro veículo – uma van comercial branca – para despistar as autoridades.



A prisão de Sud-Francilien e o helicóptero e carro utilizados na fuga. Fotos: EPA/Getty/AFP 
A história, por si só, já teria sido bastante extraordinária, se não fosse o fato de que esta não é a primeira fuga cinematográfica de Faïd, nem sequer sua primeira vez nos holofotes da mídia.


Faïd, que cresceu em um subúrbio pobre e violento de Paris, tornou-se uma figura famosa na cena do crime francês após comandar uma gangue que executava roubos armados e extorsões na capital francesa, na década de 1990. 


Ele seria preso pela primeira vez em 1998, onde permaneceria em reclusão até 2009, quando conseguiu permissão para cumprir a pena em liberdade condicional. Nesse tempo, escreveu e publicou um livro sobre a sua vida de crimes, revelando que sua carreira criminal havia sido fortemente influenciada por thrillers policiais americanos, como “Scarface” (1983) e “Fogo contra fogo” (1995)



Redoine Faïd em 2010, durante divulgação do seu livro "Braqueur". Foto: BBC/Shutterstock


Dois anos depois, em 2011, Faïd – apelidado pela polícia de “l’Écrivain”, ou “o Escritor” – voltaria à prisão por descumprimento dos termos da condicional. A partir de então, começaria o seu histórico de fugas.


Em 2013, enquanto cumpria sua pena no complexo prisional de Séquedin, nos arredores da cidade francesa de Lille, Faïd também aproveitou a visita do seu irmão para render quatro agentes penitenciários com uma pistola e usá-los como escudo humano. Logo após, detonou explosivos em três portões de entrada e conseguiu escapar da prisão.


Recapturado após 6 semanas foragido, Faïd receberia uma pena adicional de 10 anos pela tentativa de fuga, além uma segunda pena de 25 anos, por ter planejado uma tentativa frustrada de assalto, que resultou na morte de uma agente policial francesa, Aurélie Fouquet, em 2010.


A Ministra francesa da Justiça, Nicole Belloubet, chamou a empreitada de “fuga espetacular”, apontando para o fato de ter sido extremamente bem orquestrada e aparentemente planejada com antecedência.


No momento, quase 3.000 agentes da polícia francesa estão à procura de Faïd e seus comparsas, os quais ainda não foram localizados. Como fugitivo profissional, o francês certamente soube deixar a sua marca.


E você, o que acharia de um filme baseado nas fugas de Faïd?