Golfinhos usam de nomes próprios para comunicação, revela estudo
Golfinhos usam de nomes próprios para comunicação, revela estudo
O artifício é utilizado para reconhecer amigos e rivais, algo jamais visto em animais não-humanos
Postado em 11/06/2018
A espécie, também conhecida como golfinho-nariz-de-girafa, vive nos mares tropicais e temperados

Segundo estudo divulgado, na última sexta-feira (8), pela revista científica Current Biology, os golfinhos possuem nomes individuais, que são usados para a comunicação e construção dos seus círculos sociais. A pesquisa, realizada na Austrália com a espécie golfinho-roaz, também apontou que os machos desenvolvem um “apito de assinatura” único - algo como uma “carteira de identidade” sonora, já nos primeiros meses de vida.


"Descobrimos que golfinhos machos mantêm seu apito exclusivo de assinatura, permitindo-lhes reconhecer muitos amigos e rivais diferentes em sua rede social, algo que atualmente não é conhecido em qualquer outro animal não-humano", explica Stephanie King, da Universidade da Austrália Ocidental, coautora do estudo. "Foi demonstrado que esses apitos de assinatura são, de alguma forma, comparáveis aos nomes humanos. Os golfinhos os usam para se apresentar ou até para copiar outros como meio de se dirigir a indivíduos específicos", continua King.



Outra descoberta do estudo foi a possibilidade dos golfinhos-roazes de experimentar o que é chamado de convergência fonética. Em linhas gerais, essa  habilidade se resume em poder adaptar a voz para que ela soe parecida com a de outros golfinhos, em especial como meio de demonstrar proximidade social - algo que os humanos também fazem.


Os cientistas envolvidos na pesquisa acreditam que, dentres os motivos pelos quais esses animais possuem essas “assinaturas de aliança”, destaca-se a capacidade de “difundir a identidade da aliança como uma unidade social específica em relação a outros machos aliados ou a fêmeas sexualmente receptivas".



Após as últimas constatações, pesquisadores afirmam que a próxima fase do estudo será reproduzir, para cada indivíduo, a gravação de seu próprio “apito de assinatura” para observar sua resposta. Espera-se, assim, compreender mais profundamente as nuances dos mecanismos de comunicação e comportamento desses mamíferos.