Igreja recomendou padre acusado de pedofilia para trabalhar na Disney
Igreja recomendou padre acusado de pedofilia para trabalhar na Disney
Mesmo após acusações de abuso contra menores, a Igreja o ajudou a conseguir um emprego no parque infantil
Postado em 17/08/2018
(Foto: All That’s Interesting/Reprodução)

Na terça-feira (14), a Suprema Corte da Pensilvânia divulgou um relatório do grande júri contendo denúncias sobre casos de abuso sexual dentro da Igreja Católica no Estado. No documento, além dos nomes de pelo menos 300 padres acusados de pedofilia, foram detalhados também todos os esforços despendidos pela instituição religiosa para encobrir as práticas criminosas.


Dentre esses casos, consta o do Reverendo Edward George Ganster, um ex-padre que, mesmo após sofrer várias acusações de abuso contra menores, recebeu das mãos da igreja uma recomendação de emprego para trabalhar, ironicamente, num dos parques de diversão da Disney.


(Interior da Diocese de Pittsburgh. Foto: Jeff Swensen/Getty Images)


Conforme narra a CBS News, a primeira queixa contra Ganster veio ao final da década de 1970, quando uma mãe acusou o sacerdote de ter abusado do seu filho, de 13 anos, durante uma excursão da igreja. O menino havia relatado também que “coisas aconteciam” no confessionário com o padre.


Anos depois, outras duas vítimas se apresentaram com o mesmo tipo de alegação contra Ganster. Segundo os meninos, que tinham entre 12 e 14 anos à época, era costume do padre apalpar os coroinhas da paróquia, além de, ocasionalmente, também bater neles, usando, inclusive, crucifixos do santuário.


Diante das denúncias, o Reverendo foi transferido para outra localidade. 


(O Reverendo Edward George Ganster sofreu acusações de abuso contra menores na paróquia de St. Joseph, na Pensilvânia. Foto: Família de Ganster/Orlando Sentinel)


Cerca de 10 anos após sua transferência, Ganster resolveu abandonar o sacerdócio, pois planejava se casar. Pediu, então, à Igreja que lhe desse uma carta de recomendação para conseguir um emprego no parque de diversão Disney World. E o pedido foi concedido.


Segundo relatório divulgado, um membro do clero teria escrito ao padre que tinha “certeza de que a Diocese poderia lhe dar uma referência positiva em relação ao trabalho realizado durante os anos  de serviço como padre”.


Quando indagado sobre o episódio, um porta-voz da igreja, Matt Kerr, alegou não ter conhecimento do fato, mas que “ele não deveria ter acontecido”. “Hoje, isso não aconteceria”, afirmou.


(O trem do Magic Kingdom, onde o ex-padre trabalhou por 18 anos. Foto: Disney World/Reprodução)


Ganster trabalhou na Disney por 18 anos, dirigindo o trem do Magic Kingdom, e morreu em Orlando, em 2014.