Japão volta a ser grande destino de imigrantes brasileiros
Japão volta a ser grande destino de imigrantes brasileiros
Crise financeira e falta de segurança estão entre os motivos
Postado em 15/05/2018
(Família Yamabe se mudou há um ano para Kariya, à procura de melhor condição de vida para a filha. Foto: Arquivo pessoal / BBCBrasil.com)

O Japão vem lutando, sem muito sucesso, para melhorar seu crescimento econômico desde a recessão causada pela crise de 2008. Reflexos dessa tentativa frustrada no país são a estagnação, em níveis abaixo do esperado, do aumento salarial e das taxas de emprego. Mas, embora o cenário não seja dos mais convidativos, cresce no país a imigração de nipo-brasileiros. 


Segundo dados de 2016, os consulados japoneses no Brasil emitiram mais de 11 mil vistos para descendentes, cônjuges e dependentes - um aumento de quase três vezes quando comparado aos registros de 2014. E, de acordo com as agências de emprego responsáveis por fazer ponte entre os brasileiros e empresas japonesas, a tendência se manteve nos dois últimos anos.


(Foto: BBCBrasil.com)


A realidade no Japão, contudo, não é a mesma que se via na década de 1990 - quando houve o maior movimento dos dekasseguis (imigrantes descendentes de japoneses que buscam trabalho no Japão) para o país. Antes, com no máximo três anos de trabalho, conseguia-se economizar o suficiente para comprar uma casa confortável no Brasil; hoje, o cenário é outro. Em parte, a mudança se deu porque houve um aumento expressivo dos preços brasileiros, mas há também o fato de o câmbio já não ser mais tão favorável quanto era 20 anos atrás.


Talvez por essa razão, os nisseis e sanseis brasileiros afirmam não ser somente a questão do emprego o que os motiva a deixar o Brasil rumo à terra do sol nascente.  “Muita gente que está indo agora já foi dekassegui. Tem gente que voltou (para o Brasil) e tentou montar um negócio, mas não deu certo. Tem gente que está assustada com a insegurança, com os assaltos", analisa Kleber Ariyoshi, sócio-diretor da agência de empregos Itiban, que tem sede nos dois países.


Outro fator atrativo, segundo Ariyoshi, tem sido a proximidade das Olimpíadas de Tóquio, em 2020. Diante da falta de mão de obra no Japão, a procura por brasileiros pelas empresas japonesas tem sido cada vez maior. "Atendemos três ou quatro delas por semana aqui", ele afirma.