Menino morre após pais forçarem jejum de 40 dias por motivos religiosos
Menino morre após pais forçarem jejum de 40 dias por motivos religiosos
Ayanfe, de 15 anos, foi encontrado em estado lamentável pela polícia, numa casa que mais parecia uma prisão
Postado em 7/09/2018
(Foto: Departamento de Polícia de Reedsburg)

Esta semana, um menino de 15 anos faleceu, nos Estados Unidos, após seus pais o submeterem a um jejum religioso de 40 dias. Segundo relatório policial, uma outra menina, de 11 anos, também foi encontrada no local em estado crítico de saúde. Os responsáveis pelas crianças, Kehinde e Titlayo Omosebi, seguem detidos sob a acusação de negligência extrema e homicídio culposo. 



A polícia de Reedsburg tomou conhecimento do caso, em 2 de setembro, quando o pai dos menores, Kehinde Omosebi, de 49 anos, foi até a delegacia relatar a morte do filho, Ayanfe, de 15 anos. 


Prosseguindo até a casa dos Omosebi, as autoridades foram surpreendidas pelo que lá encontraram. Conforme relatos, além de as portas estarem todas cobertas de cadeados e correntes, parecendo mais uma prisão que uma casa, não havia telefone, energia nem comida na residência. 


(Casa onde os Omosebi moravam. A vizinhança não tinha ideia do que se passa ali. Foto: Rob Schultz/Wisconsin State Journal/Reprodução)


O corpo desfalecido do menino, igualmente, causou comoção nos oficiais. De acordo com o Wisconsin State Journal, o garoto se encontrava largado numa cadeira, vestindo um moletom cinza, com suas costelas perturbadoramente visíveis sob a pele.


“Não era como se o garoto estivesse saudável na quinta-feira e depois morresse na sexta”, declarou o chefe da polícia de Reedsburg, Timothy Becker. “Sua morte foi um processo demorado, e seus pais não fizeram nada para impedi-la. Essa é a parte mais preocupante dessa história”.


Na casa, os policiais também encontraram uma garota de 11 anos e a mãe das crianças,  Titilayo Omosebi, de 47 anos. As duas estavam em estado tão crítico de saúde que não conseguiam nem mesmo se locomover para fora do local sem ajuda.


Após o resgate, ambas foram levadas para um hospital, mas apenas a menina recebeu tratamento. A mãe declarou não poder aceitar auxílio médico por causa de “restrições religiosas”. 


(Kehinde Omosebi e Titilayo Omosebi. Foto: Departamento de Polícia de Reedsburg)


Kehinde afirmou à polícia que o jejum era parte de um ritual religioso do “Ministério de Reforma de Cornerstone”, no qual ele era ministro. Segundo noticiou o Wisconsin State Journal, a prática teria iniciado em 19 de julho, e o pobre menino teria vindo a óbito 44 dias depois, em 31 de agosto.


“Não foi um jejum, foi um caso de negligência. Os estatutos deixam claro que você tem a obrigação de fornecer comida necessária (para as crianças)”, disse Becker. “Quando você tranca seus filhos em casa, e o pai é o único que pode sair, a situação deixa de ser um jejum e passa a ser um caso de fome e negligência”.


Desde 4 de setembro, tanto Kehinde quanto Titilayo estão presos na Cadeia de Sauk County, acusados de negligência extrema e homicídio.


A filha sobrevivente do casal está sob custódia preventiva do Estado.