Seria o disco póstumo de Michael Jackson uma enorme fraude?
Seria o disco póstumo de Michael Jackson uma enorme fraude?
Segundo familiares e fãs do cantor, a Sony teria contratado um imitador profissional para gravar as músicas do disco
Postado em 26/08/2018
(Foto: DJMag/Reprodução)

Na sexta-feira (24), o circo pegou fogo no mundo da música após manchetes de diversos sites de notícia relatarem que a Sony Music teria confessado falsificar várias faixas do último álbum de Michael Jackson. As alegações dos noticiários se baseiam num processo judicial que acusa a gravadora de ter contratado um imitador profissional para as canções do disco póstumo do “rei do pop”.


A polêmica gira em torno de três músicas do álbum “Michael”, lançado em 2010 pela Sony. Desde a sua estreia, alguns fãs e familiares do cantor afirmam que as faixas “Breaking News,” “Keep Your Head Up” e “Monster” não teriam sido gravadas por ele. Supostamente, a voz das fatídicas canções seria do vocalista Jason Malachi, quem chegou a confessar o fato, em 2011, ao tabloide TMZ.



Em 2014, o assunto ganhou ainda mais projeção quando uma fã resolveu entrar com uma ação coletiva contra a gravadora e as pessoas envolvidas na produção das três músicas. À época, a Sony se pronunciou prontamente negando as acusações e reafirmando a autenticidade das gravações, citando ainda diversas fontes que corroboraram a mesma, como diretores, engenheiros e musicólogos.  


(Teria um imitador gravado as faixas do disco de Michael Jackson em 2010? Foto: Carl de Souza/AFP)


frisson maior, contudo, só veio esta semana após um advogado do espólio do Michael Jackson soltar uma frase infeliz que deu margem a interpretações erradas sobre o caso. Em audiência, ele teria dito que “mesmo que os vocais não fossem do cantor”, eles teriam o direito de usar o nome de Michael no disco. A afirmação hipotética foi logo entendida como uma confissão, e os meios de comunicação não pensaram duas vezes antes de espalhar o fato pela internet.


Conforme noticiaram a Variety e a Rolling Stone, todas essas publicações se basearam numa compreensão falha do que foi dito no tribunal. De fato, nenhuma confissão foi realmente feita. “Ninguém admitiu que Michael Jackson não tenha cantado nas músicas”, afirmou Zia Modabber, advogado da Sony no processo.


Por outro lado, é também certo que a Sony parece estar cada vez menos empenhada em defender a autenticidade das músicas. No final de 2017, ela chegou a dizer que era “possível” as faixas serem falsas, sem que isso implicasse responsabilidade por parte dela - uma vez que ela acreditava piamente na originalidade das gravações.


O tribunal deverá dar um veredito no processo em até 90 dias.