Navios fantasmas surgidos no litoral do Japão têm origem tragicamente bizarra
Navios fantasmas surgidos no litoral do Japão têm origem tragicamente bizarra
Embarcações aparentemente sem tripulação revelaram cadáveres em estado de decomposição avançada e uma história terrível por trás delas
Postado em 13/12/2018
Foto: Yuri SmityukTASS/Getty Images

Após o terrível tsunami de 2011, no Japão, uma infinidade de barcos sem tripulação foi lançada pelos oceanos e, ao longo dos anos,  várias dessas embarcações acabaram por aparecer misteriosamente nos lugares mais improváveis ao redor do mundo. 


Em 2012, por exemplo, o gigante navio japonês “Ryou-Un Maru” foi descoberto flutuando na costa do Alasca, tão vazio e inóspito quanto as águas que o circundavam. Por óbvio, os americanos adoraram a novidade e criaram diversas teorias sobre aquele “navio fantasma”. 


Mas, como tudo na vida, com o passar dos anos, o fenômeno perdeu o seu encanto, e ninguém mais deu muita importância às novas naus que foram sendo encontradas pelo mundo afora. Isto é, até 2015, quando algo bem sinistro começou a acontecer.


Os japoneses, em especial os habitantes da costa do Mar do Japão, não são lá muito fáceis de se impressionar com assuntos relacionados à morte - eles estão, afinal, habituados a lidar com “fantasmas”. Todos os anos, inúmeros são os casos de pessoas que se suicidam nos penhascos de Tōjinbō, tendo seus corpos, depois, trazidos aos litorais da região com uma frequência assustadora. No entanto, em novembro de 2015, até mesmo essa população viu seu queixo bater no chão. 


(Os penhascos do Mar do Japão são famosas pelas ocorrências de suicídio. Foto: Wikimedia Commons)Tudo ocorreu após um barco mediano, de apenas 30 pés, adentrar a costa de Ishikawa, no oeste do país. De início, ele foi tratado como mais uma das infinitas embarcações que apareciam periodicamente na região. Mas a curiosidade dos japoneses foi aguçada em pouco tempo, quando, em seguida, surgiram mais dois barcos do mesmo porte logo atrás do primeiro. Então, a guarda costeira foi chamada. Em primeira análise, presumiu-se que os três estavam completamente vazios - como era de costume. Isso, no entanto, estava longe de ser verdade.


Dentro dos veículos havia 10 corpos em estado avançado de decomposição - não sendo possível nem mesmo fazer o reconhecimento das vítimas e tampouco descobrir a causa da morte delas. As únicas pistas de suas origens eram dadas por artefatos encontrados dentro dos barcos, como um maço de cigarros e alguns equipamentos surpreendentemente bem preservados.


Os indícios apontavam para uma direção curiosa. Os itens ali eram todos de origem coreana - mais especificamente norte-coreana, e pareciam pertencer a núcleos militares daquele país. Não demorou, portanto, para se formular a teoria de que aqueles cadáveres eram de desertores do regime de Kim Jong-un, os quais buscavam escapar do terrível regime ditatorial. Todavia, as peças do tabuleiro não se encaixavam perfeitamente, afinal a grande maioria dos que tentam fugir da Coreia do Norte busca por rotas terrestres em direção à China, por ser esse um caminho muito mais curto e seguro.


(Barcos coreanos encontrados à deriva na costa do Japão estavam cheios de cadáveres. Foto: Getty/Reprodução)Cogitou-se, por fim, que aqueles soldados norte-coreanos haviam simplesmente sido designados para pescar além da costa do país - algo compreensível dada a importância da pesca na economia da península, mesmo considerando-se a incomum atribuição de militares para a tarefa.


O problema foi, contudo, que os oficiais norte-coreanos seguiam em total despreparo para a atividade, não tendo a bordo suprimentos suficientes nem equipamentos essenciais, como um GPS. “Apenas um idiota pescaria assim”, comentou um pescador experiente diante das condições apresentadas pelos barcos encontrados no Japão. “O governo coreano deve estar forçando-os a fazer isso.”


Após o episódio, o número de embarcações coreanas em estados similares aportando no Japão só fez crescer. Em 2017, foram 44 ocorrências, e, no final de novembro deste ano, 89 incidentes do tipo foram relatados.