Notícias falsas no Whatsapp têm transformado indianos em assassinos
Notícias falsas no Whatsapp têm transformado indianos em assassinos
Mais de 20 pessoas morreram na Índia vítimas de linchamentos provocados por rumores divulgados no serviço de mensagens
Postado em 4/07/2018
(Reprodução/BBC)

Cinco homens foram mortos durante linchamento na Índia, no último domingo (1), após rumores espalhados pelo Whatsapp os acusarem de sequestrar crianças. Segundo as autoridades locais, as vítimas eram apenas membros de uma comunidade nômade que passava pela cidade, e nenhum rapto de criança havia sido notificado. Doze pessoas foram presas pelos assassinatos.


(Dadarao Bhosale foi uma das vítimas do linchamento. Reprodução/ BBC)


O caso, embora soe incomum, não é o primeiro no país. Nos últimos dois meses, mais de 20 pessoas foram assassinadas em decorrência de notícias falsas propagadas pelo aplicativo de troca de mensagens. Só em maio, foram 6 casos, incluindo um ataque a uma senhora de 55 anos. Diante deste contexto caótico, a polícia indiana está tendo de tomar medidas drásticas: além de prender os acusados e divulgar apelos à população para que não acreditem em tais rumores, as autoridades tiveram de impor toque de recolher em algumas localidades.


Para controlar a situação, o governo do país pediu também apoio do Whatsapp, solicitando que o serviço de mensagens tomasse as devidas providências o quanto antes para dar fim à propagação dos boatos. “O Whatsapp deve atuar imediatamente para acabar com esta ameaça e assegurar que sua plataforma não seja usada para atividades tão danosas quanto essas”, afirmou, em comunicado oficial, o ministério indiano de Eletrônica e Tecnologia da Informação. 

  

Em resposta, a companhia do aplicativo declarou-se “horrorizada” com os episódios de linchamento e disse que irá premiar ideias que possam conter a “propagação de desinformação” em sua plataforma. “Vamos considerar seriamente propostas vindas de quaisquer ciências sociais e de perspectivas tecnológicas propondo projetos que enriqueçam nosso entendimento sobre o problema da desinformação no Whatsapp”, publicou a empresa.