Ponto Nemo: descubra os mistérios do local mais isolado do planeta
Ponto Nemo: descubra os mistérios do local mais isolado do planeta
Cientistas acreditavam quase não haver vida na região; mas sons assustadores registrados debaixo d’água sugeriram outra coisa
Postado em 29/07/2018

Em geral, quando as pessoas querem falar de um lugar remoto, normalmente em tom jocoso, elas se referem ao “meio do nada”. Mas e se, na verdade, existisse um lugar no planeta que, de tão isolado e distante de tudo, fosse realmente um “meio do nada”? Bom, antes que comecem as especulações, vamos aos fatos. Sim, esse lugar existe. 


 


Chamado de ‘Ponto Nemo’, o local é tão distante de toda forma de civilização que, muito provavelmente, as pessoas mais próximas dele são os astronautas da Estação Espacial Internacional (que está a cerca de 408 km do nosso planeta). 


Esse ponto da Terra é conhecido oficialmente como “Polo da Inacessibilidade do Pacífico”. Ele é cercado por mais de 1.600 km de mar em todas as direções. As porções terrestres mais próximas dele são as ilhas Pitcairn, as ilhas de Páscoa e uma ilha da costa da Antártica. Acredito ter ficado claro, assim, o porquê de ele ser chamado ‘Ponto Nemo’ (uma vez que “nemo” vem do latim e significa “ninguém”).


(Motu Nui é uma das ilhas de Páscoa que ficam mais próximas do Ponto Nemo; fica “apenas” 1.600 km ao norte dele. 

Foto: Flickr/Reprodução)


Para se ter uma noção do quanto esse lugar é um “meio do nada”, especula-se que nenhum ser humano tenha jamais passado pelas suas coordenadas. Nem mesmo o seu descobridor, o engenheiro Hrvoje Lukatela, chegou a um dia visitá-lo. O pesquisador fez a descoberta do lugar apenas usando um programa de computador que calculava a distância entre coordenadas geográficas. 


E se você ainda acha pouco, tem mais. Mesmo animais e plantas são escassos na região, a qual fica no Giro do Pacífico Sul - um ponto de enorme rotatividade do oceano que impede a concentração de nutrientes nas águas. Somente algumas bactérias e pequenos crustáceos conseguem sobreviver nessas condições.


Sabendo disso, enorme foi a surpresa dos cientistas quando, em 1997, um dos sons mais altos já registrados no fundo do oceano foi detectado justamente nas redondezas do Ponto Nemo. O barulho foi tão violento que pôde ser captado por microfones subaquáticos que estavam a quase 5 mil quilômetros um do outro. Os pesquisadores da área ficaram tão incrédulos com o registro que o apelidaram de “The Bloop” ( “a gafe”, em inglês), acreditando ter sido um erro dos aparelhos. Parecia impossível para eles que houvesse algo tão gigante a ponto de ser capaz de realizar aquele som tão alto embaixo d’água.



Por óbvio, várias teorias surgiram à época. A grande maioria versando sobre monstros enormes que viviam nos fundos do Pacífico. Mas, para a tristeza (ou descrença) dos amantes de ficção científica, tempos depois, foi constatado que, na verdade, o som havia sido produzido por um choque entre placas de gelo da Antártica.


(Várias teorias sobre monstros submarinos surgiu após o áudio The Bloop ser registrado. 

Imagem: DevianArt/Pinterest/Reprodução)


Atualmente, o Ponto Nemo é usado como um “cemitério de espaçonaves” e recebe os detritos que ficam para trás durante os lançamentos das missões espaciais. A escolha dessa área para a função tem como justificativa justamente a sua localização remota da civilização, oferecendo, assim, muito baixo risco de acidentes envolvendo seres humanos com os restos de naves espaciais.


Como se vê, teoricamente, não há monstros na região. Mas o cenário, decerto, também não é dos mais convidativos.


E você, toparia dar uma passadinha por lá?