De volta à vida: rosto reconstruído de rainha morta há 1200 anos fascina o mundo
De volta à vida: rosto reconstruído de rainha morta há 1200 anos fascina o mundo
Apelidada de "Rainha de Huarmey", a nobre teve seu rosto trazido de volta à vida num trabalho manual de 220 horas
Postado em 10/06/2018

Sepultada com joias, garrafas e instrumentos de tecelagem, tudo feito em ouro. Assim foi encontrada a “Rainha de Huarmey”, no Peru. A rica senhora, que teve sua morte aos 60 anos de idade, foi enterrada há 1200 anos. Seu rosto, contudo, venceu o tempo e  foi reconstruído com um realismo espantoso - como se ela tivesse voltado à vida.


 (A caveira depois de ser removida do túmulo tinha, como se pode notar, cabelo preservado. Foto: Robert Clark, National Geographic Creative)


“Quando vi, pela primeira vez, a reconstrução, reconheci naquele rosto traços que lembravam alguns dos meus amigos indígenas da cidade de Huarmey”, afirmou Miłosz Giersz, bolseiro da National Geographic que participou do grupo de arqueólogos que descobriu o jazigo da fidalga.


 (Crânio impresso em 3D que foi base para a reconstrução. Foto: Oscar Nilsson)


O achado se deu em 2012, quando foram encontrados restos mortais de 58 senhoras nobres, dentre as quais havia quatro rainhas e princesas, em um túmulo situado numa encosta outrora famosa por ser um grande complexo da cultura Wari. A descoberta foi classificada como “uma das mais importantes dos últimos anos” pela curadora de arte pré-colombiana do Museu de Lima, Cecília Pardo Grau.


 (Crânio com os músculos faciais modelados com barro. Foto: Oscar Nilsson)


Dentre as senhoras encontradas, uma se destacou pelo luxo de sua sepultura. Apelidada de “Rainha de Huarmey”, a nobre despertou a curiosidade dos especialistas, que buscaram formas de reconstruir, por meio do esqueleto, sua aparência original. Foi então que Oscar Nilsson, arqueólogo famoso por realizar reconstruções faciais, foi consultado.


 (Em seus ouvidos foram inseridas cópias dos alargadores encontrados na tumba. Foto: Oscar Nilsson)


Nilsson, evitando os processos tradicionais (feitos somente no computador), decidiu fazer a reconstrução da “Rainha de Huarmey” manualmente. Foram 220 horas de trabalho, baseado apenas na construção do crânio, impresso em 3D, e nos dados que estimavam detalhes como a grossura dos músculos e da pele.

 

 (Pele, gordura e músculos foram modelados com barro. Foto: Oscar Nilsson)


O resultado foi de um realismo extremo - nenhum detalhe foi deixado de lado. Para reconstruir o cabelo da nobre, por exemplo, Nilsson usou de fios reais comprados de uma anciã andina. “Consideramos que o primeiro passo foi o mais científico, e que gradualmente fui entrando num processo mais artístico, e precisei de acrescentar uma expressão humana ou uma centelha de vida”, afirmou Nilsson. “De outra forma, ela iria se parecer com um manequim.”


 (Para maior realismo, o cabelo foi feito usando fios reais comprados de uma anciã andina. Foto: Oscar Nilsson)


Diante do fruto de seus esforços, o arqueólogo afirmou que, sem dúvida, aquela iniciativa foi especial, mesmo considerando seus 20 anos de carreira. Sem arrependimentos, Nilsson se lembra de quando foi primeiramente consultado e afirma que, de cara, aceitou a empreitada: “Eu não consegui recusar este projeto.”


Ficamos felizes que essa tenha sido sua decisão.