Sul-coreanas protestam contra a pornografia das ‘câmeras espiãs’
Sul-coreanas protestam contra a pornografia das ‘câmeras espiãs’
Mais de 20 mil mulheres marcharam em Seul pedindo pela punição dos infratores que as filmavam sem consentimento para postar em sites de pornografia
Postado em 8/07/2018
(The Associated Press)

Neste sábado (7), numa das maiores manifestações femininas já vista pela Coreia do Sul, milhares de coreanas foram às ruas em Seul para protestar contra a pornografia das “câmeras espiãs”. Sendo alvo de fotografias e filmagens indiscretas, as senhoras exigiram das autoridades que fossem tomadas providências para dar um fim à prática. 


(AFP/Getty)


De acordo com a BBC, os vídeos e fotos são feitos em espaços públicos por câmeras escondidas, muitas vezes sem a vítima nem mesmo ter conhecimento do fato. Não bastante, os registros indiscretos são, posteriormente, divulgados em sites de pornografia, onde são amplamente compartilhados país afora. A prática, além de moralmente reprovável, é um crime no país, cuja lei proíbe expressamente toda forma de distribuição de material pornográfico. 


No protesto, as sul-coreanas se disseram aterrorizadas com a ocorrência, receosas de, a qualquer momento, serem fotografadas ou filmadas sem seu consentimento. Com cartazes e banners em mãos, trazendo mensagens como “Minha vida não é seu pornô”, as integrantes da manifestação eram, em sua maioria, bastante jovens. Poucas contavam com mais de 30 anos. O motivo para isso é claro: elas são os maiores alvos das “câmeras espiãs”.


Clamando juntas pela punição dos infratores, pelo menos 20 mil coreanas caminharam pela cidade de Seul com seus rostos cobertos com máscaras, usando ainda chapéus e óculos de sol. “Todos devem ser severamente punidos”, elas entoavam.


 (Todas as manifestantes eram mulheres. Foto: AFP/Getty)


O protesto vem a aumentar a pressão sobre o governo para combater a prática. Mas o crime tem sido um desafio enorme para a Coreia do Sul. Segundo dados oficiais, o número de casos registrados com câmeras ocultas subiu de 1.100, em 2010, para mais de 6.500, em 2017. 


Em reunião de gabinete, o presidente Moon Jae-in pediu às autoridades que fossem aplicadas punições mais severas aos infratores, buscando fazê-los sofrer “danos maiores do que os praticados” por eles. Uma das propostas, nesse sentido, seria a de notificar os empregadores dos perpetradores do crime.