Trailer lotado de cadáveres causa demissão de alto funcionário forense no México
Trailer lotado de cadáveres causa demissão de alto funcionário forense no México
Ao todo, acredita-se na existência de 300 corpos sendo mantidos na cidade de Guadalajara
Postado em 19/09/2018
(Foto: EFE/Reprodução)

Esta semana, foi demitido um alto funcionário forense do Estado de Jalisco, no México, após ser descoberto que ele mantinha, num trailer refrigerado, cerca de 150 corpos não reclamados. Segundo a BBC, o motivo do armazenamento irregular seria que os mortuários locais já se encontravam acima de suas capacidades físicas, não podendo receber novos cadáveres. 


Além desse trailer, as autoridades mexicanas acreditam haver um segundo, com o qual se somariam, no total, 300 corpos mantidos ilegalmente.


O acusado pelo incidente, Luis Octavio Cotero, afirmou que está sendo feito de ‘bode expiatório’ pelo governo de Jalisco, negando ser responsável pelo armazenamento clandestino nos veículos. “Só agora eles estão averiguando a situação... É a falta de eficiência [deles] que colocou nosso Estado nessa posição tão lamentável”, declarou ele.


(O crime foi descoberto após população reclamar do mau cheiro vindo do trailer. Foto: Reuters/Reprodução)


O crime foi descoberto pela população de Guadalajara depois que um cheiro desagradável começou a exalar às proximidades do trailer. “Temos muitas crianças neste bairro... isso poderia nos deixar doentes”, afirmou um dos moradores do local, José Luis Tovar.


De acordo com as autoridades de Jalisco, recentemente houve uma expressiva onda de violência na região, e as leis do país não permitem que corpos ligados a crimes violentos sejam cremados antes de as investigações serem concluídas. Como resultado, houve um incremento na quantidade de corpos a serem mantidos nos mortuários, que não suportaram a enorme demanda.


A incidência de crimes violentos no México vem crescendo de forma assustadora nos últimos anos. Só no ano passado, foram mais de 25 mil assassinatos registrados, segundo dados oficiais. É um dos maiores números anuais já ocorridos no país. Desse total, acredita-se que cerca de três quartos foram obra do crime organizado.