Universidade de Tóquio pede desculpas por prática machista em vestibular
Universidade de Tóquio pede desculpas por prática machista em vestibular
A instituição diminuía a pontuação de candidatas mulheres para limitar a participação feminina no curso de Medicina
Postado em 8/08/2018
(Foto: Reuters)

Acusada de fraudar os resultados dos seus exames de admissão, privilegiando candidatos do sexo masculino, a Tokyo Medical University (TMU) veio a público, na terça-feira (7), admitir a procedência das acusações e pedir desculpas à população. Segundo investigação interna do órgão, a prática ocorria desde 2006.


O escândalo, que envolveu uma das universidades mais prestigiadas do Japão, teve início na última quinta-feira (2), quando o maior jornal do país, Yomiuri Shimbun, publicou uma reportagem analisando os números de admissão de estudantes da TMU. De acordo com os dados da matéria, nos últimos anos, menos de 30% dos candidatos aprovados eram mulheres. Este ano, por exemplo, dos 171 candidatos ingressantes, apenas 30 eram do sexo feminino.


O texto do jornal também trazia uma fonte anônima afirmando que havia um “entendimento silencioso” entre os dirigentes da instituição sobre a redução deliberada do número de estudantes mulheres. O motivo era que grande parte delas nunca chegava a praticar a profissão médica depois de formada. “Muitas alunas que se formam acabam deixando a profissão de lado para ter seus filhos”, disse a fonte.


(Universidade limitava participação feminina no curso de medicina desde 2006. Foto: AFP)


A história teve repercussão nacional e causou enorme alvoroço nas redes sociais no país. Sem alternativas, a reitoria da universidade se viu obrigada a fazer um pronunciamento público, no qual admitiu a alteração dos resultados de seus exames, não só prejudicando candidatas mulheres, mas também candidatos que tinham prestado sem sucesso o vestibular mais de três vezes. Além disso, o grupo confessou também que privilegiava com pontuação extra participantes que tinham feito doações à instituição. 


"Traímos a confiança do público. Queremos nos desculpar sinceramente por isso", disse o diretor da TMU, Tetsuo Yukioka.


Em comunicado oficial, o vice-presidente da universidade, Keisuke Miyazawa, prometeu que, nos próximos exames de admissão, a prática será abolida e os resultados serão justos.