Vício em games é considerado distúrbio mental pela Organização Mundial da Saúde
Vício em games é considerado distúrbio mental pela Organização Mundial da Saúde
Longas horas em frente à tela podem ter causas mais sinistras do que a simples diversão
Postado em 18/06/2018

Quem entre nós, gamers, nunca fez uma maratona de algum jogo no qual estávamos fissurados? O hábito, comum entre os maiores entusiastas, já deixou muitos pais bastante preocupados.


E talvez a preocupação deles não seja completamente sem fundamento.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta segunda-feira (18), a versão atualizada do seu documento mais importante: a Classificação Internacional de Doenças (ICD, na sigla em inglês), usado como referência para a elaboração de diagnósticos por profissionais de saúde de todo o mundo.

Nela, um novo diagnóstico de vício foi adicionado: o “distúrbio de games”.


Segundo o documento, não basta passar longas horas na frente de um monitor para se considerar alguém “viciado em jogos”. Para isso, é preciso observar os seguintes sintomas:


– Perda de controle sobre a frequência, intensidade e/ou duração com que se joga;

– Priorizar o hábito de jogar a outras atividades, como comer, dormir, socializar ou estudar;

– Continuar jogando, ou jogar com mais frequência, mesmo após ter sofrido consequências negativas pelo hábito.


Também é necessário que os sintomas sejam observados por pelo menos 12 meses, para se confirmar o diagnóstico. Aquele final de semana trancado em casa, maratonando aquele lançamento, não conta como vício.


Para alguns profissionais da saúde, a adição do novo diagnóstico é positiva, pois chama a atenção para um problema real. Em países como Coreia do Sul e Japão, o vício já é tratado como problema de saúde pública há alguns anos, com iniciativas dos respectivos governos para tratar aqueles afligidos pelo distúrbio.


Nos países asiáticos, games são levadobem a sério. Campeonatos profissionais, onde jogadores competem por troféus e prêmios em dinheiro, são manias nacionais.  Outros profissionais, porém, ainda têm dúvidas sobre a existência do “distúrbio de games”. Em entrevista ao jornal CNN, o psicólogo Anthony Bean, diretor de uma clínica de saúde mental no Texas, Estados Unidos, relatou acreditar que a decisão da OMS de incluir o diagnóstico foi “precipitada”.

Segundo Bean, as pessoas que oensam estar “viciadas em jogos” estão, na realidade, apenas usando a atividade para lhes ajudar a lidar com problemas como ansiedade e depressão.


“Quando a ansiedade e a depressão são tratadas”, afirmou Bean, “o tempo de jogatina se reduz drasticamente.” Apesar de não negar que um vício em jogos possa existir, Bean pondera que mais pesquisas ainda são necessárias, para entender melhor o possível distúrbio.


E você, o que acha? Já conheceu algum gamer que exagerou na dose?